Phalavra

Amatrix – Capítulo 1  –  A batalha acabou…


E de repente o silêncio, por entre o fumo, furando as nuvens, simetricamente, os raios solares pintagalvam o campo de batalha, os pássaros,  primeiro assustados depois confiantes desvairavam por cima dos nossos corpos, reparei que as formigas, indiferentes ao resto, laboriosamente continuavam o seu caminho, fechei os olhos, sentia-me cansado, por certo magoado, tinha sido uma peleja dura, tinham passado muitos anos desde que no meu mundo a paz imperava, as cores eram mais vivas, tinha o verbo na ponta da língua, a minha timidez fazia parte da minha aura, os meus olhos não alcançavam a maldade.

 

  

O silêncio magoava os meus ouvidos, tentei ver-te mas o feérico da batalha ofuscava-me a vista, o meu coração disparou tal qual um cavalo selvagem, percorria aqueles campos outrora verdes e cheios de vida, cheios de natureza.

Lembrei-me da primeira vez que as nossas almas se cruzaram, a imagem apareceu-me difusa, tal como imprimida numa impressora com pouca tinta, mas ainda agora sinto a vibração que me veia a abalar para sempre, os teus olhos semicerrados ás vezes marotos mas sempre faladores, sim faladores, sempre disseram mais do que a tua boca falou, sim os teus olhos sempre estiveram presentes nos meus sonhos.

Nesta batalha as explosões eram de cor…

 

Estranhamente não se ouvia os mermúrios dos feridos nem o som das carretas carregando os cadáveres, mas sim ouvia-se nitidamente o teu choro, as tuas lágrimas desciam apressadamente a tua face, os teus olhos, tal como uma estação de metro em hora de ponta dando saída a uma multidão apressada de lágrimas, atarefadas, enviadas para mim tal como uma chuva de balas.

A minha consciência doía-me, o meu coração triste e envergonhado por ver que te fazia triste, ver-te e sentir-te era uma realidade atroz, o mundo tinha-me caído em cima, o sol queimava-me, a chuva pontapeavame sem dó a lua transformava-me num monstro, o meu amor perdido tentava encontrar-te.

Tinha-me perdido nesta guerra, nestas batalhas sem fim, feéricas, cinzentas e no fim sobrava a dor, a dor forte do não ter estado, do não ter sido, do não ser o homem-bom, companheiro, protector.

Esse morreu nesta guerra, esse não passa de uma sombra de fim de tarde numa árvore ou edifício qualquer, esse existiu, agora começa-mos nós.

E se nós voassemos daqui para não sei. aonde…

E se nós conseguíssemos descobrir o santo graal, e se nos tornássemos deuses, e se fizéssemos um mundo só para nós, e se nós voassemos daqui para não sei aonde, no meu avião, que tal, o que é que dizes?

 

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